Pistolagem na tela: a construção sociológica do pistoleiro e sua representação no cinema brasileiro contemporâneo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2393773.16.1-5

Palavras-chave:

pistolagem; pistoleiro; violência; cinema; representatividade.

Resumo

Entre 1970 e 1980, o pistoleiro Julião Santana fez fama na região fronteiriça entre o Tocantins e o Maranhão por matar 492 pessoas, dentre as quais a guerrilheira e militante do PCB Maria Lúcia Petit e o sindicalista goiano Nativo da Natividade. Em 2017, sua trajetória foi transformada na cinebiografia O Nome da morte. Outras produções cinematográficas do mesmo período, como Bacurau (2019) e O Matador (2017), alargaram a lista de filmes brasileiros que revisitaram e ressignificaram a figura do pistoleiro, abordando nas telas esse personagem tão comum e ao mesmo tempo tão folclórico dentro do imaginário popular nacional. Este artigo objetiva explorar a construção sociológica do pistoleiro, a partir da jornada de Julião Santana, analisando desde a abordagem jurídica destes profissionais sicários até sua representação em produções cinematográficas contemporâneas, num estudo de caso, empírico e qualitativo, com metodologia fundamentada na coleta e análise de fontes bibliográficas e audiovisuais.

Referências

Arendt, Hannah. A dignidade da política: ensaios e conferências. Trad. Antonio Abranches. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1993.

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. Tradução José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

BACURAU. Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Produção: Emilie Lesclaux, Saïd Bem Saïd e Michel Merkt. Recife: SBS Productions; CinemaScópio; Globo Filmes, 2019. 1 DVD.

BARREIRA, César, in: Pistolagem Política: a morte por encomenda, Revista de Ciências Sociais, Fortaleza, volume 20, n.º 1 p. 93-111, janeiro-abril de 1989. Disponível em: http://www.periodicos.ufc.br/revcienso/article/view/44172/161988 . Acesso em: 15 mar. 2022.

BARREIRA, César, in: Questão de Política, Questões de Polícia: a segurança pública no Ceará, Revista O Público e o Privado, n° 4, Editora da Universidade Estadual do Ceará, julho/dezembro de 2004.

BRASIL. Código Penal, 1940. Disponível em: http://www.amperj.org.br . Acesso em 13. Mai. 2022.

CAVALCANTI, Klester. O Nome da Morte, Editora Planeta do Brasil, São Paulo, 2006.

DOMINGUES, Juliano. O pistoleiro que matou quase 500 pessoas. Revista Sem terra, São Paulo, v. 1, n. 42, p. 9-13, 42 Nov Dez, 2007. Disponível em http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=hemerolt&pagfis=15228 . Acesso em: 03 ago 2022.

ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

GEARINI, Victória. Júlio Santana: o brasileiro que matou 492 pessoas e escapou da polícia. Aventuras na História, 2020. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/julio-santana-o-brasileiro-que-matou-492-pessoas-escapou-da-policia.phtml . Acesso em: 03 ago 2022.

GOLDMAN, Henrique. O matador dentro de nós. Trip, 2011. Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/trip/o-matador-dentro-de-nos . Acesso em: 03 ago 2022.

LAVIEIRI, Fernando. Onde a vida não tem valor. Istoé, 2018. Disponível em: https://istoe.com.br/onde-a-vida-nao-tem-valor/. Acesso em: 03 ago 2022

LIMA, Leandro. O Nome da Morte: "Ele é uma vítima", diz Pigossi sobre homem que matou 492 pessoas na vida real. UOL, 2018. Disponível em: https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/o-nome-da-morte-ele-e-uma-vitima-diz-pigossi-sobre-homem-que-matou-492-pessoas-na-vida-real/. Acesso em: 03 ago 2022

LINCE, Leo, in: Licença Para Matar e Desmatar, Fundação Lauro Campos, São Paulo, junho de 2011.

MACHADO, Ednéia Maria. Questão Social: objeto do serviço social? Serviço Social em Revista Volume 2 - Número 1 Jul/Dez 1999. Londrina: Editora UEL, 1998. p. 39 a 47. Disponível em: https://www.uel.br/revistas/ssrevista/c_v2n1_quest.htm#:~:text=77)%3A,do%20empresariado%20e%20do%20Estado.%20QUEST%C3%83O%20SOCIAL:%20OBJETO%20DO/20SERVI%C3%87O%20SOCIAL?%20Edn%C3%A9ia%20Maria%20Machado. Acesso em: 03 ago 2022.

MIRANDA, Fernando Silveira Melo Plentz. O Sentido da Maldade na Obra Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal de Hannah Arendt. Revista Eletrônica Direito, Justiça e Cidadania, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 55- 76, Dez, 2013. Disponível em: http://docs.uninove.br/arte/fac/publicacoes/pdf/v4-n1-2013/Fernando.pdf_ga=2.64026351.1513688811.1659549015-1712438843.1659549015 . Acesso em: 03 ago 2022.

PAULA, Cristiano de Quaresma de; NÓBREGA, Michelle Rodrigues, in: O Fim do Direito a Vida e a Violência Impune no Campo Brasileiro, XIX Encontro Nacional De Geografia Agrária, São Paulo, 2009.

PEREIRA, Airton dos Reis. A prática da pistolagem nos conflitos de terra no sul e no sudeste do Pará (1980-1995). Revista Territórios & Fronteiras, Cuiabá, vol. 8, n. 1, p. 229-255, jan.-jun., 2015. Disponível em https://periodicoscientificos.ufmt.br/territoriosefronteiras/index.php/tf/article/view/335/pdf . Acesso em 22 de março de 2022.

MARTINS, José de Souza. Fronteira: a degradação do outro nos confins do humano. 2ª ed. São Paula: Editora Contexto, 2009.

O MATADOR. Direção: Marcelo Galvão. Produção: Marcelo Galvão; Murray Lipnik. Netflix. 2017. 1h 47m. Disponível em: netflix.com. Acesso em: 03 ago 2022.

O NOME DA MORTE. Direção: Henrique Goldman. Produção: Rodrigo Letier. Brasil: Globo Filmes; Imagem Filmes; TV Zero, 2017. 1 DVD.

PAULA, Ricardo Henrique Arruda de. Matadores – (de) formações sócio-discursivas de pistoleiros. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 14., 28-31. jul. 2009. Rio de Janeiro (RJ), Anais... SBS: Rio de Janeiro (RJ): SBS, 2009. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/52290 . Acesso em: 03 ago 2022.

RAFAEL, Antônio. Crimes por encomenda: violência e pistolagem no cenário brasileiro. Mana, Rio de Janeiro , v. 5, n. 2, p. 177-180, Oct. 1999 . Available from http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93131999000200008&lng=en&nrm=iso . access on 12 May 2022.

ROCHA, Cristiana Costa. Memória Migrante: a experiência do trabalho escravo no tempo presente (Barras, Piauí). Orientador: Francisco Régis Lopes Ramos. 2010. 185 f. Dissertação (Mestrado) – Mestrado em História Social, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010.

ROCHA, Cristiana Costa. A vida da Lei, A Lei da Vida: conflitos pela terra, família e trabalho escravo no tempo presente. 2015. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.

SANTOS, José Vicente Tavares dos. Violências, América Latina: a disseminação de formas de violência e os estudos sobre conflitualidades. Sociologias, Porto Alegre, ano 4, n. 8, p. 16-32, jul/2002.

SANTOS, José Vicente Tavares dos, in: Conflitos Agrários e Violência no Brasil: Agentes Sociais, Lutas Pela Terra e Reforma, Anais Seminário Internacional Pontifícia Universidad Javeriana, Bogotá, 16 Colômbia, agosto de 2000. Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/rjave/paneles/tavares.pdf . Acesso em: 15 mar. 2022.

TOLEDO, Cleber. Nas livrarias e no vídeo, a história de Julião, o pistoleiro do MA que rezava após matar. Coluna do CT, 2019. Disponível em https://clebertoledo.com.br/colunistas/coluna-do-ct/nas-livrarias-e-no-video-historia-de-juliao-o-pistoleiro-do-ma-que-rezava-apos-matar . Acesso em: 03 ago 2022.

WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Editora Martin Claret, 2015.

Downloads

Publicado

2024-04-29

Edição

Seção

Artigos Originais