Uma perspectiva filosófica sobre o suicídio: um diálogo entre albert camus e emil cioran

Autores

Palavras-chave:

suicídio; filosofia; Albert Camus; emil cioran; existencialismo.

Resumo

Este artigo explora os aspectos filosóficos do suicídio a partir das perspectivas de Albert Camus e Emil Cioran, dois pensadores que, embora distintos em suas abordagens, convergem na centralidade do tema para a compreensão da condição humana. Analisa-se a filosofia do absurdo de Camus e sua ética da revolta como uma recusa do suicídio, em contraste com o pessimismo radical de Cioran e sua lucidez contemplativa, onde a ideia do suicídio atua como um antídoto para as ilusões. O trabalho estabelece um diálogo comparativo entre as duas filosofias, destacando suas convergências e divergências, e contextualiza suas contribuições no panorama da história da filosofia, diferenciando-as de abordagens sociológicas (Durkheim) e políticas (Foucault). Conclui-se que a reflexão sobre o suicídio, para ambos os autores, transcende o mero ato, tornando-se um espelho que reflete as fissuras mais profundas da consciência e um ponto de partida para a construção de uma ética autêntica em um mundo desprovido de sentido intrínseco.

Biografia do Autor

Douglas Aparecido Bueno, UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA

Possui graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2010), graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2005), graduação em Administração - Claretiano - Faculdade (2013), graduação em Psicologia pela Universidade Metodista de Piracicaba (2021), graduação em Teologia pelo Centro Universitário de Araras Dr. Edmundo Ulson (2017), graduação em Pedagogia - Claretiano Centro Universitário (2022), mestrado em Direito pela Universidade Metodista de Piracicaba (2011), doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2017). Atualmente é membro do Comitê de Ética da Universidade Federal de Rondônia; Vice-Coordenador e professor do Mestrado em Filosofia e professor do Programa de Pós-Graduação em Direitos humanos e desenvolvimento da justiça, ambos na mesma instituição. Tem experiência em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, atuando principalmente nos seguintes temas: Filosofia, Psicologia e Direito.

Referências

AGOSTINHO. A cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 2004.

AQUINO, Tomás de. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2005.

ARENDT, Hannah. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1998.

BRÉHIER, Émile. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 2006.

BUENO, Douglas Aparecido; ALBUQUERQUE, Carolina de. Direito fundamental à saúde mental e suicídio: reflexões multidisciplinares para a institucionalização de uma clínica de psicologia jurídica na Universidade Federal de Rondônia. Revista Thesis Juris, [S. l.], v. 13, n. 2, p. 277–297, 2024. DOI: 10.5585/13.2024.26836. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/thesisjuris/article/view/26836. Acesso em: 2 dez. 2025.

CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Record, 2010.

CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Tradução de Ari Roitman e Paulina Watch. Rio de Janeiro: Record, 2004.

CIORAN, Emil. Breviário de decomposição. Tradução de José Thomaz Brum. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.

CIORAN, Emil. Do inconveniente de ter nascido. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

CIORAN, Emil. Nos cumes do desespero. Tradução de Mariana Delfini. São Paulo: Tinta-da-China Brasil, 2020.

DURKHEIM, Émile. O suicídio: estudo de sociologia. Tradução de Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

JASPERS, Karl. Introdução à filosofia. São Paulo: Cultrix, 1956.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

NAGEL, Thomas. Mortal questions. Cambridge: Cambridge University Press, 1979.

PLATÃO. Fédon. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2000.

SAMPAIO, L. V. Albert Camus e a recusa do suicídio em O mito de Sísifo. Kalágatos, v. 17, n. 2, p. 102-121, 2021.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. Tradução de Jair Barboza. São Paulo: UNESP, 2001.

SÊNECA. Cartas a Lucílio. Tradução de J. A. Segurado e Campos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2014.

Downloads

Publicado

2025-12-17

Edição

Seção

Artigos Originais